segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A FOME, A SEDE, E O PORQUE




Saciar. Essa possivelmente é uma das palavras que mais carrega sentido na história. A busca por uma significação, um motivo ou motivação, a resposta ao desejo derradeiro, e a ânsia por saciar esse desejo é que move o âmago do historiador.
 
Caminhar por campos abertos e obscuros, desvendar segredos que estão ocultos, e principalmente deixar falar os mortos, são alguns dos legados que cabem ao historiador. Mas em que consiste o legado? O que deve ser considerado História e o que deve ficar a beira do caminho? Não existem respostas fáceis e nem ao menos totalmente retas para essas dúvidas, mas afinal o que é a ciência sem as suas dúvidas e questionamentos, e consiste o papel de um bom cientista buscar a resposta para as dúvidas insaciadas de seu campo de estudo. À História não poderia ser diferente, cabe ao maestro regente da dessa zelosa ciência a afirmação de que seus objetos existem e que os objetivos são alcançáveis.

O homem é um ser que deseja, almeja, sonha, e até mesmo chega ao ápice do desespero, no intuito de se descobrir e de aplacar essa fome que o consome internamente, o apetite voraz de entender como se deixou levar, e constantemente, busca compreender a existência desse eterno cordão umbilical que não o deixa se separar do passado seja materialmente ou em memória. Esse é o sentido da história e a motivação do bom historiador, a busca pelo saciar-se.

Há quem diga que a História não pode e nem ao menos poderá ser uma ciência, por estar carregada de sentido próprio e de subjetividade, além de possuir uma interminável dose do sujeito. Porém no que se baseia uma ciência senão no inesperado intuito impulsivo de se resgatar a respostas a questionamentos carregados de valores e dúvidas próprias do homem? A ciência, e qualquer uma que seja nada mais é que a busca humana para respostas do natural e do próprio comportamento homem.

Não podemos negar a interação direta do autor histórico e do ator da história, no entanto não poderá o primeiro deixar de fazer interpretações próprias dos atos de seu objeto de estudo tendo em vista que o mesmo não será uma fênix e reviverá para ser um conteúdo completamente analítico. É de inteira responsabilidade do historiador se efetuar o reto e coeso registro da história, porém, tenhamos a consciência racional que o contado nunca, jamais, e inevitavelmente será o registro do ocorrido, principalmente por dois fatores, o primeiro corresponde que mesmo as fontes, mesmo as mais confiáveis, sempre serão detentoras de verdades próprias de quem a registra, a exemplo desses podemos citar os arautos da Inquisição Católica que durante séculos torturou, massacrou, e assassinou milhares de pessoas por todo mundo e que possuíam seus registros efetuados por pares da própria igreja que estavam embebidos ou até mesmo imersos em pré-conceitos concebidos por uma formação rigorosa e até mesmo, sobre alguns membros, alienadora e que buscavam justificar os atos da ação da “Sagrada” Inquisição. Em um segundo plano podemos deixar claro que o historiador por mais que busque a verdade e a correta rede que prende os fatos, ele nunca foi e nunca será um espectador do tempo já vivido que está fora de sua perspectiva de vida, o historiador por si próprio não poderá conceber, por exemplo, como era a rotina de vida de um soldado no front de batalha durante a Primeira Guerra Mundial, mas podemos relatar baseado em registros de seus companheiros, de sua esposa ou amante, familiares, e até mesmo do exercito, como era o viver desse combatente nas trincheiras dos campos gelados da Europa.


Então porque não saciar-se?  Se existe algo que está e estará eternamente inserido no sangue, no DNA humano, assim como a fome e a sede, é o porquê, é essa raiz do questionamento e da dúvida que levará indiscutivelmente o homem a sua história, não importa se a original ou a gênese, se regida ou não por leis, se está escrita épica ou filosoficamente, o que importa é que ela existe e está registrada.

Porque não saciar-se? Inevitavelmente, a qualquer momento, nós estaremos lá, esmiuçando um pedaço de papel velho, ou a recordar de bons momentos de caminhada a beira mar de mãos dadas sob o sol do verão com a pessoa amada. Saciar, registrar, guardar e evoluir, esse sentido da vida será sempre regido e defendido por um incansável e até mesmo insaciável guardião do tempo, o historiador.

É a história a senhora e guardiã do tempo, e o historiador o seu orador. Ambos não ressuscitam os mortos, mas revive suas lembranças, e principalmente não fala pelos mortos, mas sim deixa que falem.

domingo, 2 de setembro de 2012

DIREITOS UNIVERSAIS X BRASIL X DOWNLOADS




No ano de 1948, assustados com a enorme destruição causada pela 2ª Grande Guerra Mundial, lideres de 56 nações se reuniram na sede da ONU (Organização das Nações Unidas) e ratificaram o documento que é mundialmente conhecido com Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Escrita por um canadense chamado John Peters Humphrey (então secretário de Direitos Humanos da ONU), a Declaração, apesar de ter sido muito bem recebida pelos então integrantes da ONU, não foi elevada a categoria de Tratado Universal, o que não tornava obrigatória a adoção dos artigos nela constantes pelos países membros, no entanto, esse documento incitou a criação de inúmeras constituições liberais por todo o mundo (inclusive a Brasileira de 1988), e foi base ou até mesmo o principal alicerce da Magna carta da ONU, que é um documento obrigatório para os países membros, assim, com a sua presença nesse documento a DUDH passa ao status de documento constitutivo da ONU e possui força de lei.

Mas você deve estar se perguntando: o que isso tem haver com esse blog? Porque o História e Teoria esta trazendo esse assunto que é de conhecimento Universal?

Acontece que nos últimos anos o Brasil está sendo governado por um partido político que era caracterizado como de esquerda e populista, e que buscando acentuar essas características criou políticas de redução de impostos para alguns itens e reforçou em muito o programa de bolsas assistenciais (que diga-se de passagem é criação de um governo de direita antecessor a esses). Entre os programas de redução de impostos está a chamada isenção de IPI (você sabe o que é esse imposto?). o IPI é o Imposto sobre Produtos Industrializados e que visa ações de caráter econômico chamadas proibitivas (não ajudou muito né !!!!!). Ações proibitivas são as imposições de altíssimas taxas e alíquotas de impostos com o intuito de frear, reduzir ou até mesmo inibir o consumo de dados itens, no Brasil  o principal alvo dessas ações são artigos de luxo, bebidas alcóolicas ou similares e principalmente cigarros (alíquota de até 300%).
Para estimular o consumo e amenizar os efeitos da crise econômica mundial (que de acordo com o nosso Excelentíssimo Sr. e Ex-Presidente dessa nossa grande Nação Luís Inácio Lula Da Silva não passa de uma marolinha) o governo federal vem adotando, desde 2009 (governo desse citado presidente) o regime de isenção de IPI para alguns itens, entre eles produtos de linha branca, veículos, material de construção (esse é muito importante) e agora alguns itens do setor moveleiro, tudo isso diretamente ligado ao programa Minha casa Minha Vida (se é que alguém vive descentemente com sua família em 47m²), mas há uma coisa que há muito me intrigou, e aqui entra a DUDH, todos tem direito a segurança (art.III), todos tem direito a residência e liberdade de locomoção dentro das fronteiras de seu país além de possuir o direito de sair desse para outro e a sua nação retornar (esses com certeza eles querem cumprir.  Ou não né?), todos tem direito a propriedade (art. XVII), todos tem direito a liberdade de expressão (art. XVIII) (estamos aqui provando isso), mas a que mais me chamou a atenção foram os artigos XXVI e XXVII que integralmente transcrevo aqui:

                Art. XXVI:
1. Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.   
2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.
 3. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.

               Art. XXVII:
1. Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios.
2. Toda pessoa tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor.

Texto retirado de forma parcial do site http://portal.mj.gov.br/sedh/ct/legis_intern/ddh_bib_inter_universal.htm, acessado 02 de setembro de 2012 às 16h41min.
Mas o que tem haver a DUDH com a redução de IPI brasileira? Tudo haver! No Brasil não há redução de IPI para itens considerados essenciais para o desenvolvimento do país, como equipamentos para fins didáticos (alíquota de 15%), para criação de audiovisuais (alíquota de 20%) ou veículos elétricos (alíquota de 25%).

O Brasil era até a semana passada a 6ª maior economia do mundo e possui a 3ª pior remuneração para professores do mundo. Reduz IPI para carros, mas não há legislação para a isenção ou até mesmo redução de impostos para livros, cadernos e canetas. Incentiva a indústria de linhas brancas (geladeiras, fogões, microondas) e possui uma das maiores alíquotas tributárias sobre alimentos do mundo, chegando até 16,9% (nos EUA a alíquota é de 0,7% e em alguns países da Europa a maior alíquota chega a 5%).

Embasado nesses tristes dados estamos aqui deixar a nossa contribuição para com a educação. Criamos uma base de dados que poderá ser acessada por qualquer visitante desse blog, e lá, há disponível uma lista com inúmeros livros tanto didáticos, como científicos e até mesmo de literatura infanto-juvenil.
Caso você tenha alguma contribuição para esse compartilhamento envie para: historiaeoutrasbobagens@hotmail.com que teremos o maior prazer em disponibilizar.

Para acessar a lista de arquivos é só clicar na aba BIBLIOTECA VIRTUAL que está abaixo do título do blog.
Acesse e descubra o maravilhoso mundo da leitura. Afinal quem lê viaja.

Agradecemos a todos que visitam nosso blog e estamos felicíssimos por termos atingido a marca de 1000 acessos.

O texto integral da DUDH pode ser acessado no site do Ministério da Justiça no link: http://portal.mj.gov.br/sedh/ct/legis_intern/ddh_bib_inter_universal.html

segunda-feira, 18 de junho de 2012

O ONTEM, O HOJE, O I-TUDO E MEU VIZINHO


Um certo dia me peguei a analisar como o tempo passa e como nós ficamos simplesmente a mercê de assisti-lo escorrer entre nossos dedos como mero espectador e nos tornamos rapidamente obsoletos. É impressionante a ação desse agente.
Recordo-me que a aproximadamente vinte anos, década de 90 do século XX (parece que é uma eternidade de acontecimentos), de passar a maior parte do meu tempo brincando com os meus amigos de pique e de futebol, de passar incontáveis horas colando figurinhas naqueles álbuns de jogador de futebol ou do desenho animado do momento, os principais brinquedos eram bolinhas de gude e piões além de é claro a boa e velha pipa, a maior tecnologia e inovação que existia na época era o mega drive, o master system e o Nintendo com o seu fantástico mundo de super Mário e que mesmo sendo algo surpreendente para a época, não era assim tão atrativo.
Analisando alguns acontecimentos, hoje posso dizer, tendo muito com o que me espantar, assim como meu pai diz até hoje, que no meu tempo, as pessoas quando precisavam falar com parentes distantes enviavam longas cartas que demoram semanas para chegar ao destino, se era urgente remetia um telegrama e para assistir as notícias se juntava na sala para ver televisão em uma tela de 17’’ que possuía antena interna, com um imenso Bombril, para melhorar a recepção e os canais sintonizavam em botão giratório. O equipamento de áudio portátil da época era walkman reprodutor de fita K7 (você já viu uma dessas?) que rebobinava com a caneta. Texto digitado ou copiado era reproduzido na máquina de datilografar e no mimeógrafo e trabalho de pesquisa escolar era feito no papel cenário amarelo.

Parece que tudo isso faz uma eternidade que aconteceu, mas, isso ocorrera há somente 20 anos. Imagine o que deixei de citar e o que aconteceu na época de meus pais (quando missas nas Igrejas Católicas Apostólicas Romanas ainda eram ministradas em latim) e que deixei de mencionar.
Flagrei-me a refletir sobre esse assunto quando estava pensando em adquirir um novo aparelho celular. Em uma nova era em que o ter é melhor que o ser, vi há quanto tempo não tenho um contato direto com muitos amigos, e como a tal da web se introduziu nesse relacionamento.

Ver as pessoas hoje em dia não é algo normal! Estamos em um momento da nossa formação pessoal em que ter tempo para as outras pessoas é o tempo de enviar um email, uma mensagem de texto, ou um torpedo (que na minha época ficava em submarinos e tinha a função de afundar os adversários – nomenclatura interessante para um tipo de comunicação, ou recebe e lê ou morre), para algumas pessoas, visitar outras pessoas ficou obsoleto e cansativo, além de ter de correr o risco de que na casa de destino não tenha sinal Wifi para se conectar a internet.
Ficar conectado é primordial, necessário e até mesmo vital. Não podemos deixar de atualizar nosso perfil nas redes sociais, além de verificar os emails e os extratos de cartão de crédito. Tecnologias de conectividade levam a dependência extrema da interação virtual. São megas e mais megas de velocidade em banda larga, 2G, 3G, 3GMax, 3G Plus, 4G, fibra óptica, para manter a perenidade presencial das pessoas online (eu tive internet discada de 56kbps conectada via modem AMR).

A mobilidade urbana e humana se tornou algo incrível. É internet no celular, no notbook, no netbook, no ultrabook, no tablet. Redes para a conexão via wifi nos aeroportos, restaurantes, postos de gasolina, shoppings, bibliotecas (eu que não corria atrás de uma lan house com modem discado a 56k e cinco reais a hora para me virar não).
Resumidamente, hoje não temos mais piões e bolinhas de gude, carrinhos só de controle remoto, álbum de figurinhas (afffff – nunca terá – demora demais) nem falo e vídeo game é Playstation 3 e Xbox com kinect, cópias é na maquina de Xerox , e digitação é no PC, televisão é de Led ultragigante com conversor digital e sensor touch para mudança de canais.

Estamos em um momento da história em que todos querem ter: Iphone, Ipod (nano, touch, classic), Ipad, Imac, I-tudo, se manter conectado e com perfil atualizado na internet, em um tempo histórico que já é chamado de Era digital, mas que eu gostaria de chamar na verdade de: Era uma vez o tempo em que eu sabia o nome do meu vizinho.

terça-feira, 22 de maio de 2012

IGREJA E CAPITAL. INFLUÊNCIAS DE UMA ERA.



Mais uma vez, demonstrando sua versatilidade, Max Weber supera as expectativas e apresenta um argumento contraditório ao comumente apresentado hoje, que a expansão capitalista deu-se exclusivamente pelo avanço da burguesia. Para Weber existe uma estreita ligação entre o capitalismo e protestantismo. Sem a rápida propagação dos ideais Reformistas, para Weber, não seria possível uma propagação do capitalismo como hoje o conhecemos. A Reforma trouxe para o cotidiano do burguês algo que até então não existia, o conceito de autonomia e principalmente de individualidade, que se propagou primeiramente entre os calvinistas.
Em uma análise econômica, Weber, afirma que o capitalismo é algo conhecido dos homens a anos. Ele caracteriza a existência de comercio nas grandes cidades de eras anteriores (Roma, Mesopotâmia, Grécia, China, Índia) como uma espécie de capitalismo primitivo, que buscava de forma irracional a aquisição de bens e serviços com fins de lucro e acúmulo de riquezas não previstas. O desenvolvimento de uma ética religiosa protestante (que não via com maus olhos a aquisição de capital, a cobrança de juros, a exploração do trabalho) foi o ponto primordial para a então expansão burguesa que na maioria dos países europeus até o século XVI estava sobre a rígida e “punitiva” doutrina católica, que era extremamente inflexível sobre alguns pontos da perspectiva capitalista.

Em uma passagem marcante da obra, o autor, defende a tese que o capitalismo não está, nem de longe, ligado diretamente a ganância ilimitada de lucro, mas sim, ao espírito aquisitivo do homem, logo, não cabe ao capitalismo a exploração exagerada das riquezas, mas sim ao homem.

É coisa do jardim de infância da história cultural a noção de que essa idéia ingênua de capitalismo deva ser eliminado definitivamente. A ganância ilimitada de ganho não se identifica, nem de longe, com o capitalismo, e menos ainda com seu espírito. O capitalismo pode eventualmente se identificar com a restrição, ou pelo menos com a moderação racional desse impulso irracional. O capitalismo, porém, identifica-se com a busca do lucro, do lucro sempre renovado por meio da empresa permanente, capitalista e racional. (WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. 4 ed. Trad. Pietro Nassetti. São Paulo: Ed. Martin Claret, 2001. P. 26.)
Vários outros pontos são apresentados na obra, entre eles está à relevância do trabalho na economia capitalista, a especialização dos trabalhadores, a vocação para o capitalismo, e é claro as questões éticas que irão abarcar o ideal capitalista em seu seio.
Curioso? Vale à pena ler a obra completa e discutir o assunto, e é claro comparar o trabalho com outros teóricos, filósofos e economistas do mesmo período.

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VERÍSSIMO vs GRAMÁTICA !!! O CONFRONTO OU A AFRONTA



Alguns amigos e colegas pediram e o Blog (que é feito por vocês meus caros) atendeu !!!

Em mais de uma de suas fantásticas crônicas, o sapientíssimo Luis Fernando Veríssimo¹, nos surpreende com a frase “A Gramática precisa apanhar todos os dias pra saber quem é que manda”, mostrando a sua fixação por uma língua livre e sem os engessamentos aos quais estamos submetidos. Com um humor típico desse tipo de crônica e com um retrato da realidade da língua, o texto “o gigolô das palavras”, é um verdadeiro puxão de orelhas nos gramáticos e principalmente à porta dicionários que fazem desses instrumentos uma religião. Para seu deleite e espero divertimento eis a crônica em sua forma integral.

O gigolô das palavras


Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Cada grupo portava seu gravador cassete, certamente o instrumento vital da pedagogia moderna, e andava arrecadando opiniões. Suspeitei de saída que o tal professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando, às pressas, minha defesa ("Culpa da revisão! Culpa da revisão!"). Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse. Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Veríssimo errado? Não. Então vamos em frente.

Respondi que a linguagem, qualquer linguagem, é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras básicas da Gramática, para evitar os vexames mais gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo, mas é claro, certo? O importante é comunicar. (E quando possível surpreender, iluminar, divertir, mover... Mas aí entramos na área do talento, que também não tem nada a ver com Gramática.) A Gramática é o esqueleto da língua. Só predomina nas línguas mortas, e aí é de interesse restrito a necrólogos e professores de Latim, gente em geral pouco comunicativa. Aquela sombria gravidade que a gente nota nas fotografias em grupo dos membros da Academia Brasileira de Letras é de reprovação pelo Português ainda estar vivo. Eles só estão esperando, fardados, que o Português morra para poderem carregar o caixão e escrever sua autópsia definitiva. É o esqueleto que nos traz de pé, certo, mas ele não informa nada, como a Gramática é a estrutura da língua, mas sozinha não diz nada, não tem futuro. As múmias conversam entre si em Gramática pura.

Claro que eu não disse isso tudo para meus entrevistadores. E adverti que minha implicância com a Gramática na certa se devia à minha pouca intimidade com ela. Sempre fui péssimo em Português. Mas - isso eu disse - vejam vocês, a intimidade com a Gramática é tão indispensável que eu ganho a vida escrevendo, apesar da minha total inocência na matéria. Sou um gigolô das palavras. Vivo às suas custas. E tenho com elas exemplar conduta de um cáften profissional. Abuso delas. Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão. Não raro, peço delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro. Maltrato-as, sem dúvida. E jamais me deixo dominar por elas. Não me meto na sua vida particular. Não me interessa seu passado, suas origens, sua família nem o que outros já fizeram com elas. Se bem que não tenho o mínimo escrúpulo em roubá-las de outro, quando acho que vou ganhar com isto. As palavras, afinal, vivem na boca do povo. São faladíssimas. Algumas são de baixíssimo calão. Não merecem o mínimo respeito.

Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria a sua patroa! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção dos lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias pra saber quem é que manda.
1 _ Luis Fernando Veríssimo é um exímio escritor, tradutor, cartunista, roteirista, autor teatral, músico, e romancista brasileiro.

[CRÔNICA RETIRADA EM FORMA INTEGRAL DO LIVRO "MAIS COMÉDIAS PARA LER NA ESCOLA", Editora Objetiva,2008]

Confira também o nosso pequeno resumo da grande obra: A ética protestante e o espírito do capitalismo. Max Weber.
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domingo, 29 de abril de 2012

BRASÍL, UM PAÍS QUE QUEIMA A HISTÓRIA.


É exatamente isso que está ocorrendo no sistema judiciário brasileiro. O país está queimando documentos e arquivos que o sistema judiciário, no uso de suas atribuições legais, considera material não histórico e sem a devida contribuição para a formação histórica da nação.
No entanto a ANPUH (Associação Nacional de História) veio a público denunciar essa barbárie contra o patrimônio histórico. Em nota publicada em sua página eletrônica oficial no dia 17 de janeiro de 2012, a ANPUH, deixa claro o repúdio pela atitude do Excelentíssimo Senhor Presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Ministro Cezar Peluso, que promulgou a resolução nº 474 no dia 29 de novembro de 2011 que "estabelece critérios para atribuição de relevância e de valor histórico aos processos e demais documentos do Supremo Tribunal Federal".

Seguindo a mesma linha de pensamento, vários tribunais estaduais e municipais em todo país, vêm adotando a política de descarte e destruição de documentos jurídicos e fiscais.

A ANPUH reconhece que o arquivamento e a armazenagem desse volume de documentos são onerosos aos cofres públicos, no entanto a entidade somente solicita que o descarte dessas fontes seja feito de maneira racional e sob a supervisão de um conjunto de profissionais tanto na área de História como de profissionais de arquivologia, ciências sociais e políticas, para que os documentos sejam devidamente analisados, catalogados, e decididos o grau de relevância da fonte.
A atitude dos tribunais também foi alvo de entidades privadas, ONG (Organização Não Governamental), Universidades, e movimentos de profissionais pró-memórias, visando à revogação da resolução 474, a instauração de comissões permanentes para a análise documental e uma manutenção coesa para os arquivos públicos e privados.

O blog “PÉ DE PÁGINA”, do historiador Gunter Axt, publicou uma matéria sobre o assunto, o periódico da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) dedicou uma página para o assunto na edição de abril de 2012 em um artigo do Prof. Benito Bisso (Professor, membro do PPG de História e Presidente da ANPUH Nacional), o site oficial da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) também publicou nota solidarizando-se com a causa da ANPUH.

Abaixo transcrição parcial da resolução 474 do STF.
RESOLUÇÃO Nº 474, DE 29 DE NOVEMBRO DE 2011: Estabelece critérios para atribuição de relevância e de valor histórico aos processos e demais documentos do Supremo Tribunal Federal.
O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o art. 363, I, do Regimento Interno e tendo em vista o que consta no Processo Administrativo nº 330.115,

R E S O L V E:

Art. 1º Os critérios para atribuição de relevância e de valor histórico aos processos e demais documentos do Supremo Tribunal Federal ficam estabelecidos por esta Resolução.
O texto, em sua forma integral, pode ser acessado no site do Supremo Tribunal Federal por meio do link: http://www.stf.jus.br/ARQUIVO/NORMA/RESOLUCAO474-2011.PDF
Historiador, graduando, Comunidade Acadêmica, não fique fora desse debate, procure a ANPUH de seu estado e apóie a iniciativa, pois não há nação sem memória. Gostaria de saber mais sobre o assunto? Para maiores informações. Acesse:



Para, assim como eu, residentes no Espírito Santo o contato da ANPUH-ES é: http://www.cchn.ufes.br/anpuhes/contato.html, ou para estudantes e Acadêmicos da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo) o contato pode ser feito com o Prof. Júlio Bentivoglio, Presidente da Regional ES para o biênio 2011-2013.


CIÊNCIA, POLÍTICA E MAX WEBER




O que leva uma pessoa a dedicar a sua vida a ciência ou a política? Essas são as perguntas que o economista, filósofo e um dos pais da sociologia moderna, Max Weber, busca desvendar em seu ensaio Ciência e Política: duas vocações.

Escritos originalmente de maneira separada, em 1917 (A Ciência como vocação) e 1919 (A Política como vocação), esses ensaios buscavam apresentar o modo de vida dos estudantes das universidades alemãs, o que as diferenciavam de nações com o capitalismo amplamente difundido e atuante e a perspectiva política que se apresentava na Alemanha no período de pós-guerra.

Weber ressaltou que a vocação científica exige dedicação e principalmente especialização, mas acima de tudo a vocação para a ciência requer paixão e inspiração pelo ofício.

Somente a especialização pura permitirá que o trabalhador científico experimente por uma vez, e certamente não mais que por uma vez, a satisfação de dizer a si mesmo: desta vez, consegui algo que subsistirá. Nos dias de hoje, obra verdadeiramente definitiva e importante é sempre obra de especialista.

[...] por mais intenso que seja esse intusiasmo, por mais sincero e mais profundo, apenas ele não bastará, abolutamente, para assegurar o exito. Por certo, esse entusiasmo não passa de requisito da “inspiração”, que é o unico fator decisivo. (WEBER, Max. Ciencia e Política: duas vocações. Trad. Jean Malville. 3 ed.São Paulo: Ed. Martin Claret, 2001.)

Já no que remete à política, ele difere o viver da e para a política, os tipos de dominação política a qual as pessoas se sujeitam (tradicional, carismática e a legal) e o real motivo da dominação do Estado.

O Estado não se deixa definir, sociologicamente, a não ser pelo especifico meio que lhe é peculiar, da forma como é, peculiar a todo outro agrupamento político, a saber, o uso da coação fisica. (WEBER, Max. Ciencia e Política: duas vocações. Trad. Jean Malville. 3 ed.São Paulo: Ed. Martin Claret, 2001.)

Mesmo possuindo características próprias de seu tempo e analisar um período do nosso a muito distante, essa obra de Max Weber possui um conteúdo que nos é contemporâneo. Cita características do modo de ensino que até hoje está presente nas Universidades brasileiras e trata das atitudes do poder de uma maneira que até hoje não é de maneira alguma contrariada pela sociologia política.

Assim como a obra “O Inventário das diferenças” de Paul Veyne, essa obra deveria ser leitura obrigatória para todo graduando em História, na verdade deveria ser leitura obrigatória nas graduações de um modo geral. Gostaria de saber mais? Leia: Ciência e Política duas vocações. Max Weber.

domingo, 15 de abril de 2012

O QUE É HISTÓRIA E COMO DEVEMOS ESCREVÊ-LA?


O que é Historia e como devemos escrevê-la? Essas são as perguntas chave do discurso do Professor, Arqueólogo e Historiador Paul Veyne, escrito em 1975, para ministrar durante a aula inaugural de sua posse na cadeira de Cátedra de Historia Romana no Collège de France.
Seguindo uma linha historicista, Paul Veyne, rege seu discurso afirmando o caráter único, irrepetível e interpretativo dos fatos históricos, que deverá ser feito pelo historiador, pois esse não analisa ou descobre a História, mas sim busca a verdade nas informações das fontes e extrapola ao utilizar a interpretação para buscar o elo entre os dados.
[...] No entanto, numerosos fatos históricos são quase gêmeos idênticos – assemelham-se como duas gotas d’água; não deixam de ser, por causa disso, dois indivíduos distintos e, quando o historiador faz o recenseamento, considera-os como tais. Apenas aos olhos dos sociólogos eles recairiam numa e mesma categoria. Não é preciso dizer que a História consiste em amar o que jamais se verá duas vezes, e em amar duas vezes o que se revê ocasionalmente (Paul Veyne. O inventario das diferenças. Trad. Sônia Saizstein. São Paulo. Ed. Brasiliense:1983. p 40).
Partindo meio que na contra mão da discussão sobre o caráter histórico, Paul Veyne, foge a regra que dominava o seu tempo e não busca a resposta para a pergunta corrente, que era: pra que serve a Historia? Para ele, a História é definitivamente uma ciência que busca analisar a coerência e as constantes dos fatos históricos, pois para Veyne uma História sem constantes e sem conceitos é uma História narrativa, pobre em conteúdo, e não uma historia factual, e sim real.
O autor busca responder outra carência dos historiadores, a de como se escreve e analisa os acontecimentos históricos. E conclui:
[...] Um historiador não faz falarem os romanos, os tibetanos ou os nhambiquaras: ele fala em seu lugar, fala-nos deles, e conta-nos quais foram as realidades e as ideologias desses povos; fala sua própria língua, não a deles [...](Paul Veyne. O inventario das diferenças. Trad. Sônia Saizstein. São Paulo. Ed. Brasiliense:1983. p 23).
[...] a Historia não é a ciência do concreto[...](Paul Veyne. O inventario das diferenças. Trad. Sônia Saizstein. São Paulo. Ed. Brasiliense:1983. p 56).
[...] é mais importante ter ideias do que conhecer a verdade. [...] a verdade não é o mais elevado dos valores do conhecimento. (Paul Veyne. O inventario das diferenças. Trad. Sônia Saizstein. São Paulo. Ed. Brasiliense:1983. p 67 ).
Paul Veyne busca apoiar uma análise objetiva e também subjetiva da História e espanta-se com a constante busca pela conceituação do teor histórico, afirmando que essa caracterização fadará essa ciência a perda da originalidade.
[...] se a História impõe-se a tarefa de conceituar, a fim de delimitar a originalidade das coisas [...](Paul Veyne. O inventario das diferenças. Trad. Sônia Saizstein. São Paulo. Ed. Brasiliense:1983. p 48 ).
Pois, toda memória e todo acontecimento é História.
A palestra por ele ministrada foi publicada no ano de 1976 em forma de livro, inscrita sob o titulo: O Inventário das Diferenças, traduzido para o português por Sonia Saizstein e publicado pela editora Brasiliense em 1983. Uma obra destinada a todos os estudiosos e interessados em História e uma porta de abertura para os graduandos dessa ciência que estão dando os primeiros passos.


COMO NOSSO MUNDO FOI DESENHADO



Sob a coordenação do Prof. Mauricio Sogame, do departamento de Geografia da Universidade Federal do Espírito Santo, os alunos graduandos do curso de Historia desenvolveram uma série de trabalhos de analise dos tratados políticos, econômicos e sociais com maior relevância para a determinação do atual ‘’desenho’’ de nosso mundo. Foram analisados 09 (nove) tratados ao todo.
Para estudiosos com maior conhecimento no assunto esse texto aparentará superficial, porém, o intuito é informar a todos, mesmo que de forma rasa, a respeito dessas decisões que configuraram as fronteiras nacionais, as ideologias políticas e a exploração econômica de nosso planeta.
Os tratados aqui apresentados: Tordesilhas, Westfalia, Berlim, Versalhes, OTAN, Pacto de Varsóvia, Maastricht, Assunção e Kyoto.

1 - Tratado de Tordesilhas:
No ano de 1479 o reino de Portugal inicia sua expansão para o sul, contornando a Africa, obtendo nessa viagem pontos de aquisição de mercadorias como ouro, marfim e escravos. Essa descoberta desperta no reino recém formado de Espanha um interesse nesse tipo de comercio, houve várias discussões sobre o assunto e a legitimidade de propriedade dessa rota comercial a Portugal. Então no mesmo ano assinou-se o Tratado de Alcáçovas que determinava a divisão do mundo em dois hemisférios, o sul com terras descobertas ou a serem descobertas para Portugal e o norte para Espanha.
Iniciou-se a expansão marítima. No ano de 1492 o navegador Cristovão Colombo, patrocinado pela coroa espanhola, chega as Terras do novo mundo. Portugal logo declara que as terras descobertas pelo navegador estavam em sua área de influência. Espanha busca obter um novo tratado de divisão das terras a descobrir, e no ano de 1493, obtém com o aval do papa Alexandre VI a assinatura da Bula Inter Coetera, que remarcou a linha referente às terras a serem descobertas. Uma linha imaginária traçada a 100 léguas das ilhas de Cabo Verde determinaria que as terras a oeste desta pertencessem a Espanha e a leste a Portugal.
Os termos não agradaram a coroa portuguesa, que reabriu a discussão, e no ano seguinte, diplomatas de ambas as nações se reuniram na cidade de Tordesilhas, Espanha, para a assinatura de um novo tratado que determinou que a linha imaginária anteriormente criada avançasse para o oeste e o limite passou ser de 370 milhas. O tratado cai por terra no ano de 1580 com a União Ibérica.
2 - Tratado de Westfalia ou Paz de Vestfália:
A Paz de Vestfalia consistiu na assinatura de vários tratados que findaram os conflitos políticos e militares que estavam assolando o continente europeu no sec. XVII. Ela encerra a Guerra dos Trinta anos (rivalidade entre católicos e protestantes, principalmente na Alemanha), reconhecem a soberania da Suíça e independência dos Países Baixos, findam com as tentativas de intervenção da França e Suécia no Sacro Império e posteriormente a paz assinada entre França e Espanha será anexada a esse tratado.
Esse conjunto de decisões é considerado o ponta pé inicial para o que virá a ser as relações internacionais e reconhece o direito e a soberania dos estados nacionais.
3 - Conferência de Berlim:
A Conferência de Berlim realizada entre os anos de 1884 e 1885 teve como objetivo organizar, na forma de regras, a ocupação da África pelas potências coloniais e resultou numa divisão que não respeitou, nem a história, nem as relações étnicas e mesmo familiares dos povos do Continente.
Participaram desse congresso, proposto por Portugal e organizado pelo Chanceler Otto von Bismarck da Alemanha, a Grã-Bretanha, França, Espanha, Itália, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Estados Unidos da América, Suécia, Áustria-Hungria, Império Otomano.

4 - Tratado de Versalhes:

O Tratado de Versalhes (1919) foi um tratado de paz assinado pelas potências europeias que encerrou oficialmente a Primeira Guerra Mundial. O principal ponto do tratado determinava que a Alemanha aceitasse todas as responsabilidades por causar a guerra e que, sob os termos dos artigos 231-247, fizesse reparações a um certo número de nações da Tríplice Entente.

Os termos impostos à Alemanha incluíam a perda de uma parte de seu território para um número de nações fronteiriças, de todas as colônias, uma restrição ao tamanho do exército e uma indenização pelos prejuízos causados durante a guerra. A República de Weimar também aceitou reconhecer a independência da Áustria. Na Alemanha o tratado causou choque e humilhação na população, o que contribuiu para a queda da República de Weimar.

5 - OTAN:

A organização foi criada em 1949, no contexto da Guerra Fria, com o objetivo de constituir uma frente oposta ao bloco socialista. Com a queda do socialismo a OTAN adquiriu uma nova tarefa, o de se tornar o eixo da política de segurança de toda a Europa e América do Norte.

6 - Pacto de Varsóvia:

O Pacto de Varsóvia foi uma aliança militar formada em 1955 pelos países socialistas do Leste Europeu e pela União Soviética, países estes que também ficaram conhecidos como bloco socialista. O tratado estabeleceu o alinhamento dos países membros com Moscou, estabelecendo um compromisso de ajuda mútua em caso de agressões militares. O organismo militar foi instituído em contraponto à OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

7 - Maastricht:

O Tratado de Maastricht foi um marco significativo no processo de unificação europeia, fixando a integração econômica até então existente entre diversos países europeus se somaria a uma unificação política. O seu resultado mais evidente foi a substituição da denominação Comunidade Europeia pelo termo atual União Européia.

8 - Assunção:

O Tratado de Assunção foi assinado em 1991, entre a Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, com o objetivo de criar um mercado comum entre os países acordados formando então, o que popularmente foi chamado de Mercosul. Mais tarde, em 1994, o Protocolo de Ouro Preto foi assinado como um complemento do Tratado, estabelecia que o Tratado de Assunção fosse reconhecido juridicamente e internacionalmente como uma organização.

9 - Tratado de Kyoto:

Constitui-se no protocolo de um tratado internacional com compromissos mais rígidos para a redução da emissão dos gases que agravam o efeito estufa, considerados, de acordo com a maioria das investigações científicas, como causa antropogênicas do aquecimento global.
Por ele, propõe-se um calendário pelo qual os países membros têm a obrigação de reduzir a emissão de gases do efeito estufa em, pelo menos, 5,2% em relação aos níveis de 1990 no período entre 2008 e 2012, também chamado de primeiro período de compromisso.

Em uma análise complementar podemos observar que os quatro primeiros tratados possuíam características basicamente econômicas e expansionistas, já os tratados de número 5 e 6 (Otan e Varsóvia) possuem um carater ideológico latente, os de número 7 e 8 são de caráter político econômico integracionalizante e por último o 9 pela primeira vez a formação de um tratado com preocupações socio ambientais.
Espero ter contribuído para o maior esclarecimento de Como foi desenhado nosso Mundo.
Agradeço a todos aos amigos e colegas graduandos do curso de História da Universidade Federal do Espírito Santo, turma 2011/2 pelas informações.

DISCUTINDO A CONSTRUÇÃO E O ENSINO DA HISTORIA


Ocorrerá na cidade de Mariana (MG), entre os dias 24 a 27 de julho de 2012, o XVIII Encontro Regional ANPUH – MG. Terá como tema "Dimensões do Poder na História". Pretende-se promover o debate em torno do ensino e da pesquisa histórica em campos temáticos que abranjam a problemática do poder, entendido como lastro que articula a formação de hierarquias, de assimetrias diversas e de dominações sociais na História. Serão acolhidos os trabalhos que abordem, mesmo que indiretamente, processos históricos em que a dinâmica social seja concebida como conjunto de relações de força que dão suporte a posicionamentos diversos de poder, a fim de compreender o poder como objeto do historiador e os desafios teórico-metodológicos que o tema impõe à disciplina da História.
Texto retirado de forma integral do site http://www.encontro2012.mg.anpuh.org/#, acessado 15 de abril de 2012 às 14h16min.

sábado, 31 de março de 2012

PARA A JUSTIÇA DOS VIVOS A CONDENAÇÃO DOS MORTOS



Em 1979 o então Presidente da Republica Federativa do Brasil João Figueiredo, iniciava o processo de abertura política. Visando o possível atentado contra a pessoa e o patrimônio, promulga a lei de Nº 6.683 que anistia e exime de culpa as pessoas comuns ligadas a atos repreensíveis, apresentando em seu artigo1º:
Art. 1º É concedida anistia a todos quantos, no período compreendido entre 02 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979, cometeram crimes políticos ou conexo com estes, crimes eleitorais, aos que tiveram seus direitos políticos suspensos e aos servidores da Administração Direta e Indireta, de fundações vinculadas ao poder público, aos Servidores dos Poderes Legislativo e Judiciário, aos Militares e aos dirigentes e representantes sindicais, punidos com fundamento em Atos Institucionais e Complementares. (Texto retirado de forma integral do caput da lei nº 6683 de 28 de agosto de 1979).
Utilizando-se dessa lei o governo criou uma via de mão dupla, reintegrou servidores, militares e agentes do poder, anteriormente afastados sob algum tipo de acusação: promover atos de tortura,  efetuar prisões indevidas, estar ligado ou ser suspeito de colaborar com o desaparecimento de civis que se articularam contra as determinações do então Regime Militar. Essa duplicidade interpretativa é responsável desde então por inúmeras discussões a respeito do julgamento das responsabilidades criminais contra a pessoa e o patrimônio, compreendidas entre os anos de 1961 a 1985.
 
Assim essa lei é constantemente alvo de advogados, AOBs (Ordem dos Advogados do Brasil), ONGs (Organização Não Governamental), e parentes das vítimas desaparecidas e que ainda não foram localizadas, pois, consideram que em parte alguma da lei exista parágrafo, artigo, ou ato complementar que cite ou decrete a isenção de penalidades para os agentes políticos torturadores do dado período, e julgam que o poder político não poderia de forma alguma citar ou declarar inocentes torturadores, pelo fato do Brasil ser membro da Comissão Internacional de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) e assinante da Declaração Universal dos Direitos do Homem, portanto, isentar os torturadores abertamente seria declarar ser uma nação que violou tais direitos.
Em 2002 na tentativa de reparar os danos econômicos sofridos pelos presos políticos, exilados e famílias de desaparecidos, o governo brasileiro por meio da lei nº 10.559 de 13 de novembro de 2002 resolveu promover a indenização econômica aos pares, além de proporcionar direitos que lhes foram privados, tais como: diplomas universitários, salários atrasados, e posse de cargos públicos que a esses pertenciam.
No entanto, em abril de 2010 a OAB encaminhou ao Ministério Público e a Justiça do estado de São Paulo um pedido de revisão da Lei da Anistia que fora enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal) para apreciação, porém, obteve um parecer contrário a solicitação de revista por sete votos contra e dois a favor. Finalizada a votação o Presidente do STF proferiu o seguinte discurso:
“Só o homem perdoa, só uma sociedade superior qualificada pela consciência dos mais elevados sentimentos de humanidade é capaz de perdoar. Porque só uma sociedade que, por ter grandeza, é maior do que os seus inimigos é capaz de sobreviver.” (A afirmação é do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Cezar Peluso)
Em novembro de 2011 a Corte Interamericana de Justiça condenou o Brasil por não ter responsabilizado os autores de crimes políticos e isso obrigou o STF a reabrir o processo de revista da lei, que foi marcado para o dia 29 de março 2012, sendo adiado.
Essa postergação gerou em inúmeros seguimentos da sociedade alguns descontentamentos, como a passeata pela revista da lei que ocorreu no centro do Rio de Janeiro na data prevista para reabertura do processo.
E você, o que acha desse novo capítulo dos anos de ferro de nosso país que parecem não acabar?

segunda-feira, 26 de março de 2012

CONHECIMENTO BRASILEIRO TIPO EXPORTAÇÃO.



A Universidade da Califórnia lançou a primeira tradução feita para a língua portuguesa de “Curial e Guelfa”, anônimo romance de cavalaria escrito em catalão, na segunda metade do século XV, cerca de 100 anos antes do Dom Quixote, de Cervantes (1547-1616). “Curial e Guelfa” apresenta, por trás de um romance de amor entre os dois personagens do título (Curial, o cavaleiro pobre, e Guelfa, a princesa que o amava e o protegia) uma rica descrição da sociedade cavalheiresca de sua época, e mostra bem a passagem da Idade Média para o Renascimento. Dessa obra existe apenas um único manuscrito, encontrado em um arquivo espanhol, e que está sendo revalorizado nos últimos anos, com cuidadosas traduções, para os principais idiomas modernos, realizadas por especialistas de vários países europeus. No Brasil, “Curial e Guelfa” ainda é desconhecida nos meios universitários, e essa publicação certamente abrirá novos campos de pesquisa para estudiosos de História e de Literatura.
 
A tradução, do catalão medieval para o português, era tarefa que apresentava inúmeras dificuldades lingüísticas e metodológicas. Foi levada a bom termo pelo Prof. Dr. Ricardo da Costa, medievalista da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo), acadêmico correspondente no exterior da Real Academia de Belas Letras de Barcelona e membro do IVITRA (Instituto Virtual Internacional de Tradução – Universidade de Alicante). Ricardo da Costa enriqueceu o trabalho com centenas de notas explicativas, indispensáveis para o leitor moderno poder devidamente compreender e saborear o texto, que manteve rigorosa fidelidade em relação ao original catalão.
A edição já foi lançada nos Estados Unidos em um volume encadernado, com 512 páginas, e deve chegar ao Brasil nas próximas semanas.
Nossos parabéns ao Prof. Dr. Ricardo da Costa pelo excelente trabalho apresentado nessa obra.

ARMADA NAZISTA NO SUL DO BRASIL!



Durante uma regata entre Vila Velha, no Espírito Santo, e a ilha da Trindade, na costa brasileira, a bordo do veleiro Aysso, Vilfredo Schürmann ouviu falar do naufrágio de um submarino alemão no litoral de Santa Catarina. O capitão não sossegou enquanto não encontrou a embarcação no fundo do mar. Foram 18 mergulhos até identificar os restos do submarino alemão U-513, naufragado em 19 de julho de 1943.

O Lobo Solitário, como era conhecida a embarcação, era comandada por Friedrich Fritz Guggenberger, oficial condecorado com a Cruz de Ferro pelo próprio Adolf Hitler, por ter afundado um porta-aviões inglês, o Ark Royal.

A busca do U-513 foi realizada com o apoio do governo de Santa Catarina, e o local do naufrágio foi encontrado graças às anotações contidas no diário de bordo do navio americano Barnegad, que resgatou sete sobreviventes de um total de 53 tripulantes, conta Schürmann. O diário registrava também as coordenadas de um ponto próximo ao local onde o equipamento nazista afundou, fornecidas por um instrumento do hidroavião americano que abateu o submarino. “Com essas coordenadas o localizamos”, explica o capitão. O próximo passo de Schürmann é transformar a história em documentário.


Texto extraido do site UOL (História Viva)
Escrito e editado pela jornalista, tradutora, cientista política e mestre em política internacional e segurança pela Universidade de Bradford, na Inglaterra, Eloísa Broggiato.

domingo, 25 de março de 2012

ASSASSINARAM O PRESIDENTE LINCOLN!!!!




Essa foi à frase mais pronunciada naquele fatídico dia 14 de abril de 1865, dia em que sob um tiro de uma arma de fogo calibre 44 manuseada pelo confederado John Wilkes Booth, o 16º Presidente Dos Estados Unidos Da América, Abraham Lincoln sucumbiu.
Os conspiradores dessa trama foram caçados, presos, e condenados a morte pela forca, exceto o executor do disparo, Booth, que fora baleado durante a tentativa de prisão e não resistiu ao ferimento.
Esse é o quadro que destaca o filme ‘’O Conspirador’’ (Título original: The Conspirator – Abril 2011) produzido pela América Filmes e dirigido pelo cineasta Robert Redford. O filme possui como pano de fundo o cenário dos últimos meses da Guerra Secessão, o assassinato do presidente Lincoln, e o julgamento dos acusados (focado na pessoa de Mary Surratt). Com um tema bem original, um figurino, fotografia e cenário de excelente qualidade, esse é um filme que os amantes da Historia dos EUA não podem deixar de conferir.
O Site Oficial do filme (http://www.conspiratorthemovie.com/index.php) além de possuir inúmeras informações sobre o acontecimento histórico possui também uma vasta lista de indicações bibliográficas. Confiram.

Trailer:


Centro de recursos com indicações bibliográficas: