domingo, 29 de abril de 2012

CIÊNCIA, POLÍTICA E MAX WEBER




O que leva uma pessoa a dedicar a sua vida a ciência ou a política? Essas são as perguntas que o economista, filósofo e um dos pais da sociologia moderna, Max Weber, busca desvendar em seu ensaio Ciência e Política: duas vocações.

Escritos originalmente de maneira separada, em 1917 (A Ciência como vocação) e 1919 (A Política como vocação), esses ensaios buscavam apresentar o modo de vida dos estudantes das universidades alemãs, o que as diferenciavam de nações com o capitalismo amplamente difundido e atuante e a perspectiva política que se apresentava na Alemanha no período de pós-guerra.

Weber ressaltou que a vocação científica exige dedicação e principalmente especialização, mas acima de tudo a vocação para a ciência requer paixão e inspiração pelo ofício.

Somente a especialização pura permitirá que o trabalhador científico experimente por uma vez, e certamente não mais que por uma vez, a satisfação de dizer a si mesmo: desta vez, consegui algo que subsistirá. Nos dias de hoje, obra verdadeiramente definitiva e importante é sempre obra de especialista.

[...] por mais intenso que seja esse intusiasmo, por mais sincero e mais profundo, apenas ele não bastará, abolutamente, para assegurar o exito. Por certo, esse entusiasmo não passa de requisito da “inspiração”, que é o unico fator decisivo. (WEBER, Max. Ciencia e Política: duas vocações. Trad. Jean Malville. 3 ed.São Paulo: Ed. Martin Claret, 2001.)

Já no que remete à política, ele difere o viver da e para a política, os tipos de dominação política a qual as pessoas se sujeitam (tradicional, carismática e a legal) e o real motivo da dominação do Estado.

O Estado não se deixa definir, sociologicamente, a não ser pelo especifico meio que lhe é peculiar, da forma como é, peculiar a todo outro agrupamento político, a saber, o uso da coação fisica. (WEBER, Max. Ciencia e Política: duas vocações. Trad. Jean Malville. 3 ed.São Paulo: Ed. Martin Claret, 2001.)

Mesmo possuindo características próprias de seu tempo e analisar um período do nosso a muito distante, essa obra de Max Weber possui um conteúdo que nos é contemporâneo. Cita características do modo de ensino que até hoje está presente nas Universidades brasileiras e trata das atitudes do poder de uma maneira que até hoje não é de maneira alguma contrariada pela sociologia política.

Assim como a obra “O Inventário das diferenças” de Paul Veyne, essa obra deveria ser leitura obrigatória para todo graduando em História, na verdade deveria ser leitura obrigatória nas graduações de um modo geral. Gostaria de saber mais? Leia: Ciência e Política duas vocações. Max Weber.

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