Um certo dia me peguei a analisar
como o tempo passa e como nós ficamos simplesmente a mercê de assisti-lo
escorrer entre nossos dedos como mero espectador e nos tornamos rapidamente
obsoletos. É impressionante a ação desse agente.
Recordo-me que a aproximadamente
vinte anos, década de 90 do século XX (parece que é uma eternidade de
acontecimentos), de passar a maior parte do meu tempo brincando com os meus
amigos de pique e de futebol, de passar incontáveis horas colando figurinhas
naqueles álbuns de jogador de futebol ou do desenho animado do momento, os
principais brinquedos eram bolinhas de gude e piões além de é claro a boa e
velha pipa, a maior tecnologia e inovação que existia na época era o mega
drive, o master system e o Nintendo com o seu fantástico mundo de super Mário e
que mesmo sendo algo surpreendente para a época, não era assim tão atrativo.
Analisando alguns acontecimentos,
hoje posso dizer, tendo muito com o que me espantar, assim como meu pai diz até
hoje, que no meu tempo, as pessoas quando precisavam falar com parentes
distantes enviavam longas cartas que demoram semanas para chegar ao destino, se
era urgente remetia um telegrama e para assistir as notícias se juntava na sala
para ver televisão em uma tela de 17’’ que possuía antena interna, com um
imenso Bombril, para melhorar a recepção e os canais sintonizavam em botão
giratório. O equipamento de áudio portátil da época era walkman reprodutor de
fita K7 (você já viu uma dessas?) que rebobinava com a caneta. Texto digitado
ou copiado era reproduzido na máquina de datilografar e no mimeógrafo e
trabalho de pesquisa escolar era feito no papel cenário amarelo.
Parece que tudo isso faz uma eternidade que aconteceu, mas, isso ocorrera há somente 20 anos. Imagine o que deixei de citar e o que aconteceu na época de meus pais (quando missas nas Igrejas Católicas Apostólicas Romanas ainda eram ministradas em latim) e que deixei de mencionar.
Flagrei-me a refletir sobre esse
assunto quando estava pensando em adquirir um novo aparelho celular. Em uma
nova era em que o ter é melhor que o ser, vi há quanto tempo não tenho um
contato direto com muitos amigos, e como a tal da web se introduziu nesse
relacionamento.
Ver as pessoas hoje em dia não é algo normal! Estamos em um momento da nossa formação pessoal em que ter tempo para as outras pessoas é o tempo de enviar um email, uma mensagem de texto, ou um torpedo (que na minha época ficava em submarinos e tinha a função de afundar os adversários – nomenclatura interessante para um tipo de comunicação, ou recebe e lê ou morre), para algumas pessoas, visitar outras pessoas ficou obsoleto e cansativo, além de ter de correr o risco de que na casa de destino não tenha sinal Wifi para se conectar a internet.
Ficar conectado é primordial,
necessário e até mesmo vital. Não podemos deixar de atualizar nosso perfil nas
redes sociais, além de verificar os emails e os extratos de cartão de crédito.
Tecnologias de conectividade levam a dependência extrema da interação virtual.
São megas e mais megas de velocidade em banda larga, 2G, 3G, 3GMax, 3G Plus,
4G, fibra óptica, para manter a perenidade presencial das pessoas online (eu
tive internet discada de 56kbps conectada via modem AMR).
A mobilidade urbana e humana se tornou algo incrível. É internet no celular, no notbook, no netbook, no ultrabook, no tablet. Redes para a conexão via wifi nos aeroportos, restaurantes, postos de gasolina, shoppings, bibliotecas (eu que não corria atrás de uma lan house com modem discado a 56k e cinco reais a hora para me virar não).
Resumidamente, hoje não temos
mais piões e bolinhas de gude, carrinhos só de controle remoto, álbum de
figurinhas (afffff – nunca terá – demora demais) nem falo e vídeo game é
Playstation 3 e Xbox com kinect, cópias é na maquina de Xerox , e digitação é
no PC, televisão é de Led ultragigante com conversor digital e sensor touch
para mudança de canais.
Estamos em um momento da história em que todos querem ter: Iphone, Ipod (nano, touch, classic), Ipad, Imac, I-tudo, se manter conectado e com perfil atualizado na internet, em um tempo histórico que já é chamado de Era digital, mas que eu gostaria de chamar na verdade de: Era uma vez o tempo em que eu sabia o nome do meu vizinho.
