Mais uma vez, demonstrando sua versatilidade, Max Weber supera as expectativas e apresenta um argumento contraditório ao comumente apresentado hoje, que a expansão capitalista deu-se exclusivamente pelo avanço da burguesia. Para Weber existe uma estreita ligação entre o capitalismo e protestantismo. Sem a rápida propagação dos ideais Reformistas, para Weber, não seria possível uma propagação do capitalismo como hoje o conhecemos. A Reforma trouxe para o cotidiano do burguês algo que até então não existia, o conceito de autonomia e principalmente de individualidade, que se propagou primeiramente entre os calvinistas.
Em uma análise econômica, Weber, afirma que o capitalismo é algo conhecido dos homens a anos. Ele caracteriza a existência de comercio nas grandes cidades de eras anteriores (Roma, Mesopotâmia, Grécia, China, Índia) como uma espécie de capitalismo primitivo, que buscava de forma irracional a aquisição de bens e serviços com fins de lucro e acúmulo de riquezas não previstas. O desenvolvimento de uma ética religiosa protestante (que não via com maus olhos a aquisição de capital, a cobrança de juros, a exploração do trabalho) foi o ponto primordial para a então expansão burguesa que na maioria dos países europeus até o século XVI estava sobre a rígida e “punitiva” doutrina católica, que era extremamente inflexível sobre alguns pontos da perspectiva capitalista.
Em uma passagem marcante da obra, o autor, defende a tese que o capitalismo não está, nem de longe, ligado diretamente a ganância ilimitada de lucro, mas sim, ao espírito aquisitivo do homem, logo, não cabe ao capitalismo a exploração exagerada das riquezas, mas sim ao homem.
É coisa do jardim de infância da história cultural a noção de que essa idéia ingênua de capitalismo deva ser eliminado definitivamente. A ganância ilimitada de ganho não se identifica, nem de longe, com o capitalismo, e menos ainda com seu espírito. O capitalismo pode eventualmente se identificar com a restrição, ou pelo menos com a moderação racional desse impulso irracional. O capitalismo, porém, identifica-se com a busca do lucro, do lucro sempre renovado por meio da empresa permanente, capitalista e racional. (WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. 4 ed. Trad. Pietro Nassetti. São Paulo: Ed. Martin Claret, 2001. P. 26.)
Vários outros pontos são apresentados na obra, entre eles está à relevância do trabalho na economia capitalista, a especialização dos trabalhadores, a vocação para o capitalismo, e é claro as questões éticas que irão abarcar o ideal capitalista em seu seio.
Curioso? Vale à pena ler a obra completa e discutir o assunto, e é claro comparar o trabalho com outros teóricos, filósofos e economistas do mesmo período.
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